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Bolsa fecha com a maior alta histórica, aos 86 mil pontos

A tão aguardada ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre os rumos da política monetária dos EUA fez os mercados globais oscilarem ao longo do dia.

         Após a divulgação do documento, a Bolsa brasileira acompanhou o movimento de euforia com a possibilidade de um aumento gradual dos juros no país e chegou a ultrapassar a barreira dos 87 mil pontos pela primeira vez.

         Uma releitura, porém, fez os índices americanos fecharem em queda, com investidores digerindo a pressão que o índice inflacionário pode exercer sobre o país -– e, consequentemente, sobre a política de juros.

         No Brasil, o Ibovespa, principal índice do mercado local, perdeu o fôlego, mas, ainda assim, fechou com alta de 0,29%, aos 86.051 pontos, em seu maior patamar histórico de fechamento. O recorde anterior, de 85.803 pontos, tinha sido registrado na terça-feira. Já o dólar, oscilou durante o dia e fechou com alta de 0,21%, a R$ 3,263.

         “Em um primeiro momento, o mercado reagiu com certo alívio à ata, pelo fato de significar menos aumentos de juros nos Estados Unidos. Mas, depois, os investidores começaram a rever essa leitura, e a reação inicial foi substituída pelo temor de que ainda há a possibilidade de mais um quarto aumento de juros pelo Fed.

         O fato é que a ata passou uma visão bastante otimista da economia americana e, com isso, assustou com o possível aumento da inflação — avalia Rogério Freitas, sócio da Florença Investimentos.

         O documento destacou confiança dos dirigentes do Fed na economia americana e trouxe sinais mistos: apesar de escreverem que, no curto prazo, "aumentou a probabilidade de que uma trajetória de alta gradual dos juros seria apropriada", o texto diz ainda que "a inflação... provavelmente vai se mover para cima em 2018".

         “A Bolsa acompanhou a alta lá fora, quando saiu a leitura da ata. Mas, mesmo com a queda deles, nós subimos, passando por cima das notícias de possibilidade de rebaixamento do país e da disputa política interna, ajudados por bons índices nacionais, como juros e inflação sob controle e bons resultados das empresas” -— explica Pedro Galdi, analista da Magliano.

         Em Wall Street, os principais índices fecharam em queda. O Dow Jones caiu 0,67% e o S&P 500, 0,55%. A Nasdaq recuou 0,22%.

         No Brasil, investidores aguardam ainda a divulgação do IPCA-15 na sexta-feira, com expectativa de que dados da inflação possam endossar mais um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, que cairia para 6,5%, em sua menor taxa histórica.

         “O mercado continua nesse ritmo de alta, muito em função do retorno do fluxo do investidor estrangeiro, que acredita na recuperação da economia nacional. Em janeiro, saímos dos 70 mil pontos, para os 86 mil, principalmente por conta dos estrangeiros. Quando eles começaram a sair, em fevereiro, retornamos aos 81 mil. Agora, vemos eles retornarem -— avalia Luiz Roberto Monteiro, da corretora Renascença.

         Na Bolsa, o Itaú liderou os ganhos do dia, e fechou com alta de 1,32%, a R$ 52,35. A Itaúsa também subiu: 1,73%, a R$ 14,15. Além desses, outros bancos também ajudaram o pregão. Enquanto o Banco do Brasil teve alta de 0,78%, o Bradesco valorizou 0,52%.

         A Eletrobrás voltou a ser destaque no dia, com sinais de andamento do processo de privatização da empresa. Após se reunir com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Jr., o deputado José Carlos Aleluia, relator do projeto, afirmou que o projeto deve ser votado na comissão especial da Câmara dos Deputados na primeira quinzena de abril. A medida é uma das 15 pautas anunciadas pela equipe econômica, após a suspensão da votação da reforma da Previdência neste ano.

         As ações ON da empresa avançaram 2,05%, a R$ 23,35, e as PNB, subiram 1,30%, a R$ 27,35. Desde segunda-feira, os papéis ordinários contabilizam uma valorização de 8,85%.

         Entre os papéis mais negociados, os preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras, cairam 1,10%, a R$ 24,44. Já os ordinários (ON, com voto), recuaram 0,92%, a R$ 20,25. A Vale acumulou queda de 1,56%, a R$ 44,80. (de O Globo)

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